Acidente fatal na Raposo Tavares


Por Rodrigo Cozzato

Quinta-feira, 29 de abril. Rodovia Raposo Tavares, 18h15, volta pra casa depois de um cansativo dia de trabalho. Muito trânsito, mais do que o normal. Logo pensei, “pode haver acidente”. Dito e feito. No quilômetro 14,5, sentido interior, quase em frente ao shopping. Havia acabado de acontecer. Um sem-número de motociclistas parados para tentar socorrer o que não havia a ser socorrido.

Parei. Não gostaria de tê-lo feito, mas minha obrigação jornalística me fez parar. Caminhando até o acidentado, diversos rostos transtornados se misturavam ao barulho de escapamentos e buzinas apressadas, gritos, ofensas e outros rostos de motoristas que queriam chegar logo em suas casas.

O primeiro motociclista a falar comigo disse: “Irmão, o cara morreu”. Outro, desesperado: “Olha lá, cara, olha lá. Não é justo, não é justo”. Diante do corpo inerte, um fez o sinal da cruz. Mais um, e mais um, benzeram-se em frente à vítima. No chão, o que há até pouco tempo era um trabalhador voltando pra casa. Sem chance de socorro. Sem ter mais o que fazer.

Ao lado da caminhonete que se envolvera no acidente, o motorista, assustado, olhando ao redor, também sem ter o que fazer. Um agente da CET telefonava sem parar e tentava, sem sucesso, organizar o caótico congestionamento que se formou.

Ouço comentários, boatos, suspeitas. Um fala pra um, que fala pra outro. Um motociclista, que se identificou como o “primeiro a chegar”, disse que a vítima foi fechada pela caminhonete e, ao tentar desviar, se chocou contra o muro, e a cabeça, contra o poste de iluminação. “O cara morreu na hora, meu, na hora. Olha lá como ele tá machucado”, dizia, com voz assustada e com as mãos trêmulas.

A moto, bastante danificada, já estava em pé, 50 metros à frente. No meio do caminho, os tênis da vítima e destroços daquilo que era o seu instrumento de trabalho. Os jeans rasgados denunciavam um corte profundo na perna. O capacete resistiu à pancada, mas transmitiu à cabeça toda a força do impacto.

Foto: Rodrigo Cozzato

Motociclista caído, vítima fatal do trânsito da Grande SP

Veladamente, tiro lições de tudo o que vi e ouvi. Aproveito a oportunidade e consigo conversar com uns quatro ou cinco consortes: “Que tiremos todos nós um exemplo desse acidente. Devemos andar mais devagar, ter mais calma”. Outro esbravejou: “Mas o cara não olhou no espelho pra mudar de faixa!”. Rebato: “Concordo. Porém, se o motoca estivesse mais devagar, teria conseguido frear”. Então, de quem é a culpa? Dizia uma velha canção de Raul Seixas que “É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro”. De quem é a culpa? Não sei.

Sei que é preciso apenas paciência e tolerância para sobreviver ao trânsito na Grande São Paulo. Não culpo o motorista nem o motociclista. Se um mudou de faixa, o outro poderia estar mais devagar. Não é possível controlar o que o outro irá fazer, suas atitudes, sua incapacidade de dirigir. Faça, então, sua parte. Dirija com respeito, com sabedoria. Queira voltar para casa. Tenha medo do trânsito, pois temê-lo é respeitá-lo.

Aquele motociclista virou número, estatística, ingrediente no caldeirão da bruxa. Mas que não seja em vão. Que nunca seja em vão. Ele deixou uma mãe esperando em casa, talvez uma esposa, quem sabe um filho.

Não perca nunca a vontade de voltar para casa.

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8 Respostas to “Acidente fatal na Raposo Tavares”

  1. Elaine Says:

    é…talvez por isso ainda tinha transito as 22h lá na raposo. tinha uma Hillux um pouco apos o shopping sendo guinchada. Eu sofri um acidente recentemente até postado aki no blog, capotei o carro no rodoanel e depois do acidente eu to dirigindo com cautel triplicada, precisamos ter consciencia de dirigir pela gente e pelos outros…pq numa fatalidade dessa perde-se uma vida, um amigo, um irmao…meu sentimentos a familia e fica a lição de dirigir com responsabilidade.

  2. Regina Says:

    Acredito que, para quem pega a Raposo diariamente, às vezes duas ou três idas a SP pode afirmar que esta é a Rodovia da morte, da falta de policiamento, dos complexados que dirigem como loucos…
    Tenho verdadeiro pavor dos motoqueiros, tanto é que digo para meus filhos que evitem, a qualquer custo, mudar de faixa na Raposo e assim tb procedo: os motoqueiros parecem fantasmas, aparecem do nada…
    E os costureiros de plantão, o que fazer? e os caminhoneiros malucos, as betoneiras da Cortesia (já falado neste blog) cujos motoristas são assassinos em potencial?
    E OS RADARES, aonde estão?????? e os policiais rodoviários, com seu não tão modesto salário?????
    Ontem quase que uma betoneira me matou, anteontem um caminhão carregado de verduras, e por ai vai, todos temos sustos a contar.
    E a culpa é de quem???? deve ser do povo, que não sabe fazer valer seus direitos. Pagamos um abusivo IPVA, outros tantos abusivos impostos e qualidade de vida……. mais policiamento na Raposo, senhores políticos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  3. Adriana Says:

    Existem muitos motoristas sem a menor paciência no transito, muita gente que anda em seus carros sem se quer pensar nas consequências que os mesmo podem causar, e sem pensar que esses carros podem ser uma arma fatal tanto para quem os dirige, quanto para o carro do lado, e para pedestres.

    É como levantar e ir para “guerra” todo dia. Se você voltar vivo muito bem, amanhã tem mais. Se não voltar, virou estatística. (e pra quem?? Quem está se importando com isso??)

    No caso da Raposo Tavares, tem que acontecer algo urgente da parte do governo, pois o número de acidentes nessa rodovia é impressionante. Deveria ser estudado uma forma de melhorar o transito também no quesito segurança.

    A Raposo mais parace uma rodovia jogada as traças, onde qq coisa que aconteça por ali, ninguém dará a menor importância.

    Consciência meu povo!!! E calma!! Nós fazemos a nossa cidade.

    abraços

  4. alexandre delfini Says:

    parabens pela matéria meu caro amigo Rodrigo!!!!!!! vemos mais uma vez que falta educação em todos os sentidos, especialmente no trânsito, onde o próximo também não tem vez!!! A única diferença entre o trânsito daí e o daqui de Ibitinga/SP é a proporção, a quantidade de veículos, pois a falta de educação é a mesma! Pane no “sistema”!

  5. cristiana Says:

    sem comentarios, triste… muito triste. Boa a sua materia, as melhores que eu já li aqui apesar de tragico. Parabens.

  6. Luciana Fernandes Says:

    Hoje dia 15/9/2010,faz quase 5 meses q devido esse tragico acidente com meu primo do coraçao como um irmao, amado por toda familia,filho unico
    Zé motoboy de 28 anos apenas,era um Garoto de ouro.Sua mae o criou sozinha,sem o pai desde q nasceu.Minha tia Fazia tudo por ele, ela vivia pra ele.
    O Zé era a razão do seu viver.Em sua residencia moravam somente ele e sua mãe.Zé era um primo muito muito alegre extrovertido cativava qlqr pessoa q com ele fazia amizade.Estava realizando seu sonho,estava tao feliz por ter conseguido bolsa de estudos,estava ele no seu terceiro mes de faculdade e nao deu tempo,nao deu tempo.Essa tragedia com meu primo esta sendo uma enorme ferida uma dor insuportavel para toda familia.
    Sua mae e nos parentes choramos sua ausencia e sua filha de tres anos espera a volta do pai ate hj. Na residencia do meu saudoso primo irmao nao existe mais alegria,sua mae diz q nao tem mais vontade viver pq ela
    vivia pra ele. E a razao do seu viver nao existe mais!!
    Minha tia nao se desfez de nada nada dele,esta tudo la,tudo la.
    Queriamos q ela mudasse daquela residencia q hj qm mora com ela é uma das minhas irmas e nos frequentemente a visitamos.
    Minha tia chorando diz:Nao vai adiantar nada eu sair daqui,porque pra qualquer lugar que eu va, o meu saudoso filho estara sempre em minha mente,em meu coraçao!!
    Parece mentira que essa tragedia aconteceu,é uma sensaçao horrivel!
    Só Deus sabe o quanto o meu primo Zé faz falta,a dor ainda é forte e a saudades aumenta à cada dia.
    Uma IMPRUDENCIA,tirou a vida,a vida do meu querido e amado primo.
    Sua mae, filha,parentes e muitos amigos dizem em palavras em pensamentos:
    QUE SAUDADES DE VOCE ZÉ! Porque?porque?

  7. barnas Says:

    alguem sabe quantos acidentes tinha antes e apos a concessionaio da estrada

  8. Luciana Fernandes Says:

    como faço para entrar em contato com vc??
    faz tempo q tento e nao consigo.
    Ja fez 6 meses Rodrigo e parece q foi ontem, parece mentira tudo isso!!

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