Quanto vale um espelho retrovisor?


Por Rodrigo Cozzato
Foto: divulgação

Imagine a cena: Rodovia Raposo Tavares, quilômetro 11,5, na curva antes do primeiro semáforo sentido São Paulo. O trânsito é lento e as motos circulam pelo corredor. Cem, talvez duzentos metros à frente, uma Strada muda da faixa do meio para a da esquerda. A moto que vem pelo corredor tem tempo suficiente de frear — ou diminuir a velocidade — e seguir o seu caminho.

Não foi isso o que aconteceu. Uma CG 125 me ultrapassou dentro do corredor a toda velocidade e freou bruscamente, próxima à Strada. Ao invés de seguir seu caminho, o motociclista resolveu ir lá para a esquerda para chutar o retrovisor do veículo. Depois, seguiu uns bons metros entre os carros e o muro, andando sobre a sujeira da pista, já que ele não conseguia voltar ao corredor. Tudo isso aconteceu bem na minha frente, que assisti à cena de “camarote”.

E aí fica a pergunta que não quer calar: o que ele (motociclista) ganhou com isso? Será que o dia dele vai ser mais feliz, mais produtivo? Como será o tratamento dele para com os colegas de trabalho, com o chefe? E ao chegar em casa, como vai tratar a esposa, mãe, filhos?

A motorista da Strada teria evitado isso tranquilamente sem mudar de faixa. O trânsito ali não estava fluindo, logo, não havia necessidade de ziguezaguear, ela não iria ganhar mais tempo com isso. E não, o que o motoca fez não é, nem por um segundo, justificativa. O que ele fez apenas contribuiu para que a relação entre motoristas e motociclistas fique cada vez mais apimentada. Poucos metros à frente, o mesmo aconteceu comigo duas vezes. Primeiro um Celta, depois um Spacefox — trocaram de faixa repentinamente e sem sinalizar. Como eu estava em velocidade baixa, não tive maiores problemas.

Imagem: divulgação

Bom seria ter essa paisagem refletida no espelho retrovisor todos os dias

O que me deixa chateado é que os motoristas parecem não se preocupar com quem anda de moto, não importa se o motociclista respeita ou não as leis de trânsito, se está ou não trafegando com segurança; subiu numa moto, é tudo igual. O que não é verdade. Depois dessas duas fechadas, não buzinei nem xinguei os motoristas. E há, como eu, muitos motociclistas que agem dessa forma. Muitos.

Não era o caso do motoca do começo deste texto. Ele colaborou bastante para as estatísticas. Estatísticas da raiva, do ódio, da intolerância, da violência. Espero que sua mulher, filha ou irmã não passem por isso no trânsito. Ou a mãe dele, já que a motorista da Strada era uma senhora.

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