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O problema da Raposo não é a Raposo

05/05/2010

Por Rodrigo Cozzato

Há meses vemos obras intermináveis e não concluídas na Raposo Tavares. Muitos as chamam de “perfumaria”, que não vão resolver os problemas dos congestionamentos de fato. Porém, o problema maior não é a falta de pontos de ônibus, de recuos, acostamentos, etc.; é o que está ao lado da rodovia.

Pela manhã, no sentido São Paulo, é possível notar que o trecho sul do Rodoanel conseguiu desafogar o tráfego pesado de caminhões, mas ainda assim se vê pontos de lentidão justamente em acessos e saídas da Raposo.

É o caso da subida logo após o acesso à estrada do Embu. Caminhões pesados saem daquele trecho e, logo na subida, enfrentam dificuldade para desenvolver maior velocidade. E tem os “apressados”, caminhões a 30 km/h que vão para a faixa do meio para ultrapassar outro que está a 25 km/h. Em meio a isso, há as lotações, micro-ônibus, carros, motos, que se misturam e complicam ainda mais a lentidão.

Mais à frente, há outros dois trechos parecidos. A saída do Rodoanel, que costuma travar pela manhã, e o acesso à avenida Politécnica. Vários carros que vão acessá-la trafegam pela faixa da esquerda, e só vão para a direita em cima da hora.

Na volta para casa, à noite, a cena se repete. Primeiro, a saída do Jardim Peri-Peri. À frente, no quilômetro 14,5, há um acesso para diversos bairros da Zona Oeste. Quem precisa entrar ali, muda de faixa em cima da hora. O acesso ao Rodoanel mais uma vez complica o trânsito, que para de vez na subida do quilômetro 22; não é raro ver caminhões nas três faixas em plena subida, um querendo ultrapassar o outro. Ali o congestionamento passa dos dois quilômetros.

Outros acessos, como para os condomínios do quilômetro 26,5, a estrada Fernando Nobre e o retorno do quilômetro 30, também tiram a paciência do motorista, mas o que tem se mostrado realmente insuportável é o acesso à estrada do Embu, no quilômetro 26. O congestionamento para acessar a estrada ou fazer o retorno muitas vezes chega a três, quatro quilômetros.

Logo ao acessar a estrada do Embu, há uma rua interditada ao lado de um hipermercado, que foi destruída pelas chuvas de janeiro. Essa rua dava acesso à estrada do Capuava, que tem diversos condomínios.

O desabamento da rua começou a ser recuperado, mas a obra, que não termina nunca, se soma a um sem-número de carros e motos, ônibus e lotações que param no meio da rua, um cruzamento sem qualquer sinalização, a entrada e saída de veículos no hipermercado e, principalmente, grandes caminhões que acessam ou vêm da Régis Bittencourt para não pagar pedágio no Rodoanel. No sentido bairro/Raposo o congestionamento às 18h30 passa dos dois quilômetros. Sem contar o asfalto da rua, que é péssimo.

Claramente, fica evidente que o problema da Raposo Tavares não são as curvas, as subidas, as três faixas, mas sim as vias de acesso à rodovia, que despejam um número absurdo de veículos de todos os tamanhos, complicando demais o já caótico trânsito, que não absorve a demanda. Há também os incontáveis condomínios que aparecem à beira da Raposo da noite para o dia. Mas esse é um outro assunto…

O ácido corroeu a sexta-feira

22/03/2010

Por Fernando Pedroso
Foto: Rodrigo Cozzato

Sexta-feira, todo mundo doido para chegar em casa. Dou uma olhada no site da CET para ver o índice de congestionamento e saio do escritório, no Itaim-Bibi, às 19h30. Chegando perto da Raposo Tavares, vejo que o trânsito não está para brincadeira. Sintonizo uma rádio de notícias e ouço que um caminhão tombou no Rodoanel, afetando Raposo Tavares, Régis Bittencourt e Castello Branco.

Entro na rodovia e vou, a passos de tartaruga, em busca de novas informações. Vou ligando para vários conhecidos para saber de caminhos alternativos e só o que consigo ouvir é que não há para onde correr. Vejo pelo retrovisor três rapazes andando entre os carros. Não sei do que se trata, então o jeito é tomar cuidado. Um senhor à minha frente desce do carro, preocupado, e diz que já foi assaltado em uma situação parecida.

Ligo o motor, o ar-condicionado e aumento o som. O jeito é relaxar e esperar. As pessoas descem dos ônibus e vão a pé. Vejo um conhecido, o chamo, mas ele deixou a mochila no coletivo, não tinha como buscar. Perdeu a carona, coitado. Se bem que não ia adiantar nada. A única vantagem era ter alguém para bater um papo, mas ficaríamos ali, no mesmo lugar.

Foto: Rodrigo Cozzato

Caos em forma de trânsito; acidente no Rodoanel complicou a vida de quem pretendia chegar em casa na última sexta-feira

As motos passam rápido. Acelerando e buzinando, tirando um sarro de nós, motoristas. Malditos sortudos que chegaram em casa cedo. Eu nem cheguei. Parei na casa da minha noiva, dormi por lá, já era mais de 22h. Antes disso, falei com outras pessoas que trataram de se arranjar em São Paulo mesmo. Quem tinha planos, desmarcou. Chegou tarde, perdeu tempo. O ácido do caminhão, que capotou em uma reta de quatro faixas, corroeu a sexta-feira. Não só minha, mas a de todos nós, reféns de uma estrada chamada Raposo Tavares.