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Congestionamentos: nem um pouco de saudade

11/05/2010

Por Rodrigo Cozzato

Após ir e voltar ao trabalho por mais de um mês exclusivamente de moto, ontem precisei usar o carro. Só porque precisei mesmo, pois foi uma escolha difícil de ser digerida. Na ida, pela manhã, o tráfego na Raposo Tavares estava bem tranquilo, com lentidão apenas nos semáforos. Graças ao horário que saio de casa.

O problema mesmo foi a volta. O caminho que eu faço — praça Pan-americana, ponte Cidade Universitária, rua Alvarenga — estava completamente travado, por isso optei por um caminho alternativo: ponte do Jaguaré e avenida Politécnica. Não sei o quanto foi “menos pior”, pois tudo estava tão travado quanto meu caminho de praxe.

Foram 40 minutos até acessar a Raposo, que não estava em seus piores dias, e mais 25 até chegar em casa. Pouco mais de uma hora para percorrer um trajeto que de moto faço em 20, 25 minutos.

Foto: Rodrigo Cozzato

Caminhos alternativos nem sempre são a melhor opção

Agora o frio parece ter chegado definitivamente. Época de sair de casa com blusas grossas, luvas, cachecol e meião de futebol para proteger as canelas! O frio judia um pouco dos motociclistas, mas não é nada perto de enfrentar os congestionamentos diários.

Quanto vale um espelho retrovisor?

13/04/2010

Por Rodrigo Cozzato
Foto: divulgação

Imagine a cena: Rodovia Raposo Tavares, quilômetro 11,5, na curva antes do primeiro semáforo sentido São Paulo. O trânsito é lento e as motos circulam pelo corredor. Cem, talvez duzentos metros à frente, uma Strada muda da faixa do meio para a da esquerda. A moto que vem pelo corredor tem tempo suficiente de frear — ou diminuir a velocidade — e seguir o seu caminho.

Não foi isso o que aconteceu. Uma CG 125 me ultrapassou dentro do corredor a toda velocidade e freou bruscamente, próxima à Strada. Ao invés de seguir seu caminho, o motociclista resolveu ir lá para a esquerda para chutar o retrovisor do veículo. Depois, seguiu uns bons metros entre os carros e o muro, andando sobre a sujeira da pista, já que ele não conseguia voltar ao corredor. Tudo isso aconteceu bem na minha frente, que assisti à cena de “camarote”.

E aí fica a pergunta que não quer calar: o que ele (motociclista) ganhou com isso? Será que o dia dele vai ser mais feliz, mais produtivo? Como será o tratamento dele para com os colegas de trabalho, com o chefe? E ao chegar em casa, como vai tratar a esposa, mãe, filhos?

A motorista da Strada teria evitado isso tranquilamente sem mudar de faixa. O trânsito ali não estava fluindo, logo, não havia necessidade de ziguezaguear, ela não iria ganhar mais tempo com isso. E não, o que o motoca fez não é, nem por um segundo, justificativa. O que ele fez apenas contribuiu para que a relação entre motoristas e motociclistas fique cada vez mais apimentada. Poucos metros à frente, o mesmo aconteceu comigo duas vezes. Primeiro um Celta, depois um Spacefox — trocaram de faixa repentinamente e sem sinalizar. Como eu estava em velocidade baixa, não tive maiores problemas.

Imagem: divulgação

Bom seria ter essa paisagem refletida no espelho retrovisor todos os dias

O que me deixa chateado é que os motoristas parecem não se preocupar com quem anda de moto, não importa se o motociclista respeita ou não as leis de trânsito, se está ou não trafegando com segurança; subiu numa moto, é tudo igual. O que não é verdade. Depois dessas duas fechadas, não buzinei nem xinguei os motoristas. E há, como eu, muitos motociclistas que agem dessa forma. Muitos.

Não era o caso do motoca do começo deste texto. Ele colaborou bastante para as estatísticas. Estatísticas da raiva, do ódio, da intolerância, da violência. Espero que sua mulher, filha ou irmã não passem por isso no trânsito. Ou a mãe dele, já que a motorista da Strada era uma senhora.

A segunda-feira começou feia

05/04/2010

Por Rodrigo Cozzato

Uma segunda-feira no mínimo para se esquecer. Ou para se tirar lições. Mesmo com o tempo instável, saí de casa de moto, mas com bastante antecedência, prevendo encontrar trânsito ruim. Como diz o ditado popular “melhor prevenir do que remediar”, infelizmente eu estava certo.

Vi três acidentes. O primeiro, envolvendo carro e moto no quilômetro 20. Um casal de motociclistas esperava o atendimento médico deitado em meio a um mar de veículos e motos “nervosos”. No acesso à Politécnica, havia uma pessoa morta sobre a calçada, provavelmente vítima de atropelamento. Um pouco mais à frente, no quilômetro 16, outro acidente envolvendo dois carros e uma moto. Para finalizar, sentido interior, um carro se perdeu na curva do quilômetro 12, bateu no guard rail e rodou na pista.

Por que tirar lições? Porque o trânsito nos ensina dia a dia o quão perigosa é a Rodovia Raposo Tavares, mas há milhares de pessoas que insistem em não aprender. Motoristas e motociclistas impacientes com o congestionamento que se forma com o acidente que está logo ali à frente.

Pior são os que, ao passarem pelo acidentado, aceleram a toda para recuperar o tempo perdido. Oras, de tudo o que esse trânsito nos ensina, a lição mais valiosa que todos deveriam aprender é sair de casa mais cedo. Se não encontrarem problemas pelo caminho, vão chegar adiantado ao trabalho; qual o problema nisso? Sem paciência e tolerância, o melhor a fazer é ficar em casa.

Andar de moto não é tão gostoso assim

25/03/2010

Por Rodrigo Cozzato

Na última sexta-feira, o usuário da Raposo Tavares presenciou na volta para casa um dos maiores congestionamentos da história da rodovia. Muitos desistiram de voltar e dormiram pelo caminho, na casa de parentes ou amigos. Como foi o caso do meu colega do blog, Fernando Pedroso, que dormiu na casa da noiva dele.

O que chamou minha atenção em um texto dele sobre o fato é que ele se referiu às motos como sendo os únicos veículos capazes de transitar por aquele mar de carros parados. “Malditos sortudos que chegaram cedo em casa”, disse Pedroso. As motos circulam pelos corredores, não ficam engarrafadas e, claro, todos chegamos mais cedo em casa.

Mas andar de moto é tão simples assim? É tão gostoso? É e não é. Explico. Eu adoro andar de moto, qualquer que seja ela, pequena, grande, esportiva, custom, estradeira, trail… O faço há mais de quinze anos. A sensação de liberdade, o vento no rosto, a agilidade, a rapidez, a economia de combustível, tudo é atrativo para tornar o passeio mais gostoso.

Porém, andar de moto pela Raposo Tavares não é tarefa fácil. O trânsito é nervoso por natureza. Há muitos carros, ônibus e caminhões. Não há sequer, em dias normais, cem metros de pista livre à frente; as motos trafegam pelo corredor em todo seu trajeto.

Eu vou ao trabalho sobre duas rodas por extrema necessidade. Faço tranquilamente em 20, 25 minutos o que de carro faço em, no mínimo, uma hora e meia. Não gosto de pilotar sob essas condições. Prefiro pegar a Raposo sentido interior aos fins de semana, ir até São Roque, Ibiúna, curtir a paisagem, a pista livre, e aproveitar o que a região oferece.

Durante a semana, repito, utilizo a moto unicamente por uma questão de facilidade. Não é gostoso, pois chego ao trabalho com cheiro de fumaça; se chover, tem todo o trabalho de vestir a roupa de chuva, o barro, a sujeira — sem contar o risco de acidentes, que aumenta consideravelmente.

Ando sim pelo corredor, mas ando com consciência, numa velocidade segura, sem me preocupar se lá na frente alguém está mudando de faixa; é só diminuir a velocidade. Ando tranquilo, dou passagem aos motocas mais apressados e chego sossegado, ao trabalho e em casa. Confesso que ir de carro é mais confortável, dá pra ouvir música, não pega o cheiro de fumaça… Mas demora muito mais.

Fique tranquilo, eu não sou um dos motociclistas que vai se enroscar com você no trânsito da Raposo. Além de me preocupar com a minha e a sua segurança, tudo o que eu quero é chegar em casa. E bem.